Exposição sobre Florêncio Terra no museu da nossa escola

No dia da escola podes visitar o museu e descobrir a exposição sobre Florêncio Terra. Para ficares a saber mais …

Florêncio José Terra

 

Nascido e falecido na cidade da Horta, Florêncio José Terra (18 de maio de 1858 – 25 de novembro de 1941), escritor, professor e político, notabilizou-se como contista. Cursou, com distinção, o Liceu Nacional da Horta, ali começando a reger interinamente a disciplina de Introdução à História Natural, em 14 de outubro de 1886. Pretendendo seguir a carreira do magistério liceal, prestou brilhantes provas em Lisboa, ficando aprovado. Foi nomeado “professor vitalício” a 8 de novembro de 1896, iniciando uma carreira que manteria durante toda a vida. Lecionou Matemática e Ciências Naturais, tendo exercido o cargo de Reitor do Liceu da Horta (interino em 1896, efetivo entre 1907 e 1919, e depois em 1929), distinguindo-se como professor de referência e administrador.

Para além da docência, exerceu diversos cargos públicos na administração distrital e local, entre os quais o de vereador e vice-presidente da Câmara Municipal da Horta. Foi sócio fundador do Grémio Literário Artista Fayalense em 1 de janeiro de 1878.

Pertenceu a uma geração que renovou a tradição literária açoriana a partir de um forte incremento do jornalismo verificado na cidade da Horta no final do século XIX e primeiro quartel do século XX. Como jornalista, dirigiu, com Luís Barcelos, a partir de 1876, o semanário literário “A Pátria”, e, com Manuel Zerbone (1857-1905), o semanário literário intitulado “Biscuit” (com início em 1878). A sua maior atividade como jornalista exerceu-a no diário “O Açoreano” (a partir de 1895) e no semanário literário e noticioso “O Fayalense”, cuja 2ª série iniciou em 1901, de parceria  Rodrigo Guerra (1862-1924) e Marcelino Lima (1869-1961). Colaborou ainda nas publicações do Grémio Literário Artista Fayalense, n´”O Telégrafo”, no “Correio da Horta” e em diversas revistas e jornais de Lisboa (“Ocidente”, “Ilustração Portuguesa”, “Branco e Negro” e na revista de “O Século”). Assinava os seus artigos e contos, usando, geralmente, os pseudónimos de “Ri…Cardo”, “X”, “XXX”, “Máscara Verde”, “Nemo”, “Zague” e “Ignotus”.

Cedo revelou dotes de contista. Em 1897 foi o primeiro escritor açoriano a ser projetado a nível nacional, numa Selecta Literária, coordenada por Alfredo Mesquita, na qual foi incluído o conto “A debulha”, a par de outras narrativas de Fialho de Almeida, Trindade Coelho, Ficalho, Abel Botelho e outras mais.

Prosador vernáculo, cultor do conto rústico e idílico, Florêncio Terra escreveu sobre as gentes do Faial e do Pico, descrevendo ambiências campesinas e regionalistas, criando personagens de certo realismo e vigor psicológico observadas na vida social e rural.

Todas as suas obras são póstumas: Contos e Narrativas (1ª edição 1941; 2ª edição 1981), Natal Açoriano (1949), A caça à baleia nos Açores (1958), Jogos Populares (1961), Munhecas (contos infantis, 1979), Água de Verão (contos, 1987) e a antologia de contos Às Lapas (1988, coordenada por Carlos Lobão).

Dedicou-se também ao romance: O Enjeitado (1988), Vingança da Noviça (2001) e As Duas Primas (incompleto), os dois últimos escritos sob o pseudónimo “Zigue e Zague”, em co-autoria com Manuel Zerbone.

Escreveu ainda duas peças de teatro: Luísa (drama, em colaboração com Zerbone) e Helena de Savignac (drama), ambas representadas na Horta respetivamente em 1886 e 1888.

Há que ler e recuperar Florêncio Terra.

Victor Rui Dores

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