Cesário Verde

25 de fevereiro – nascimento de Cesário Verde

Descobre a biografia deste autor aqui e os seus poemas aqui.

 

A DÉBIL  

Eu, que sou feio, sólido, leal,

A ti, que és bela, frágil, assustada,

Quero estimar-te, sempre, recatada

Numa existência honesta, de cristal.

 

Sentado à mesa dum café devasso,

Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,

Nesta Babel tão velha e corruptora,

Tive tenções de oferecer-te o braço.

 

E, quando socorreste um miserável,

Eu, que bebia cálices de absinto,

Mandei ir a garrafa, porque sinto

Que me tornas prestante, bom, saudável.

(…)

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